E no começo, era o vazio. Uma
imensidão infindável de solidão. Nessa tristeza vivia Argoth, o Início, um ser
místico dotado de infinita sabedoria.
Argoth padecia em sua morbidez,
esperando que algo se manifestasse, mas nada acontecia. Quando suas esperanças
de companhia se esvariam, ele chorou. E dessas lágrimas de profundo sentimento,
nasceu Maryah, a Pura.
Maryah se tornou a companheira de
Argoth, completando o seu amado com imensurável bondade. Logo o amor dos dois
deu frutos. Assim nasceram os irmãos Tera, a Terra; Vis, o Céu; e Aka, o Mar.
Os irmãos se entendiam muito bem,
eram extremamente inteligentes, porém todos tentavam conseguir mais atenção de
seus pais. Percebendo que isso poderia causar brigas dentro da família, Argoth
e Maryah encontraram uma forma de criar vida através de suas próprias vontades.
Assim surgiram Vital, a Vida; Wing, a Força; e Mist, a Gelada.
Vital casou-se com Tera. Wing se
juntou com Vis. Mist apaixonou-se por Aka. E assim estava completa a primeira
linguagem de deuses de Lumiera. Estes são chamados de Etdeis, os primeiros
deuses.
Tera e Vital tiveram dois filhos. O
primogênito é Taurus, o Selvagem. Ele é uma criatura muito rude, forte e sem
muito alento para se entrosar com os outros deuses, mas todos que o conhecem
afirmam que é uma criatura de coração único e especial. A mais nova é Herbal, a
Feliz. Herbal consegue alegrar qualquer ambiente em que apareça. É querida por muitos
de seus parentes, sempre prestigiada com presentes e adornos.
Vis e Wing tiveram três filhos. O
primeiro é Tornadus, o Arrasador. Este deus tem um temperamento muito instável,
hora pode ser amável, hora pode ser destruidor. Muitos o temem por não saber o
que está se passando em sua cabeça hora alguma. No meio, encontra-se Rain, a
Acalentadora. Ela sempre vem para aliviar a tensão de qualquer um que a
procure, com palavras sábias que sempre indicam que se deve esperar o melhor
tempo para se fazer qualquer coisa, porém, quando se une com seu irmão
Tornadus, é uma das forças mais temidas da natureza. Por fim, mas não menos
importante, nasceu Spark, o Destruidor. É o mais poderoso dos irmãos, porém não
tem muitas ideias próprias e nem luta por causa alguma. Sempre acaba ajudando
seus irmãos mais velhos em suas brigas, mas quase nunca aparece sozinho.
Aka e Mist tiveram apenas uma filha,
Mirtha, a Pródiga. Ela sempre quer ir para longe dos seus pais, porém acaba
sempre retornando, por medo de não fazer as escolhas certas.
Os filhos dos Etdeis formam a
linhagem Metdeis, os Segundos. Eles acabaram tendo várias relações entre si,
gerando muitos filhos, todos classificados como semideuses, já que a força e
poder deles foi sendo diminuída com o passar das gerações. Alguns ganharam
destaque por se sobressaírem contra os seus irmãos. São eles Vulcania, a Lava;
Incando, o Fogo; Golem, a Pedra; Rycon, o Travesso; Global, a Guerra; e
Terreno, a Morte.
Algumas gerações depois, quando a
Terra dos Deuses, chamada de Escávia, estava bem povoada e Argoth não se sentia
mais só, ele percebeu que alguns de seus filhos estavam começando a criar
desavenças com seus irmãos. Então o Patriarca convocou uma reunião com todos os
deuses e semideuses, para decidir o que fazer.
Nessa reunião, muitos irmãos
tentaram se matar, o que deixou Argoth muito triste, vendo que a união e paixão
entre sua sabedoria e a bondade de sua amada havia sido corrompida em algum
momento, por algo ao qual ele desconhecia: a sede de Poder.
Então, temendo proteger a todos,
Argoth criou uma nova Terra e chamou de Amatrópia, e enviou muitos dos seus
filhos para lá, separando os que tinham problemas, resolvendo por hora a
situação.
Porém, em pouco tempo, Antártico, o
Guia encontrou uma forma de passar entre Escávia e Amatrópia. Esse caminho era
conhecido como Kaytos, a Passagem. Somente Argoth sabia de sua existência,
coisa que ele não havia confiado nem mesmo a sua Maryah, com medo dela ser
enganada pelos seus filhos.
Kaytos logo se tornou um campo de
batalha numa guerra sangrenta e generalizada pelo poder, onde os semideuses
matavam uns aos outros na expectativa de obter mais força e se tornar um deus,
assim como seus superiores.
Argoth, num relance de sabedoria,
tomou uma decisão. Reuniu os líderes da batalha e conseguiu uma negociação. De
um lado estava Lumus, a Luz e seus seguidores. Do outro estrava Darkus, a
Treva, e os seus soldados. Argoth disse que, juntamente com seus filhos Aka,
Vis e Tera, eles criariam um lugar onde a batalha poderia acontecer sem que os
outros semideuses fossem feridos.
E assim, foi criada Lumiera. No
início, os próprios semideuses desciam para Lumiera e lutavam as batalhas de
seus generais.
Alchemy, a Ciência, descobriu que se
ele misturasse um fio do cabelo de sua mãe Vital com o barro encontrado em
Lumiera, criavam-se criaturas semelhantes a Argoth, porém mortais. Essas
criaturas ele chamou de Humano. Seriam os soldados perfeitos, quando treinados
e bem armados.
Darkus ficou sabendo da criação de
Alchemy e ficou com inveja. Ele chamou Terreno e o ordenou que criasse algo que
pudesse matar vários Humanos de uma única vez. Então Terreno criou Vyrus, a
Praga. Vyrus teve muitos filhos, todos eles com o poder de dizimar a
humanidade.
Lumus percebeu que a criação de
Terreno era muito forte, decidiu descobrir uma forma de impedir. Com a ajuda de
Doc, o Inteligente, foi criada Ratio, a Razão. E esta foi dada de presente aos
Humanos para poder lutar contra Vyrus.
Dessa vez Darkus ficou possesso de
ódio e resolveu criar algo que seria o fim para os Humanos. Ele chamou sua Arma
Suprema de Odium, o Ódio. Ele era a reunião de todos os sentimentos ruins que
Darkus e seus seguidores possuíam. Esses sentimentos foram encarnados uma das
criaturas mais termidas de todos os tempos: Hostis, o Mal.
Hostis atormenta a Humanidade a
muitos e muitos séculos. O maior problema é que ele não pode ser morto, apenas
banido para o Vácuo. E ele ganha forças através da maldade dos próprios
Humanos. Quanto mais cruéis forem, mais forte Hostis fica. E quando este tem
poder suficiente para romper a barreira do Vácuo, ele retorna.
Nessa guerra infindável, foram
criadas diversas criaturas, como os Anões, os Elfos, os Dragões, os Gigantes e
muitos outros seres muitas vezes únicos.
Ao perceber que a guerra em Lumiera
estava saindo do controle, Argoth interviu. Ele tirou das mãos dos seus filhos
o poder de criar vida, tomando apenas para si essa dádiva. Apenas os seres que
já tinham sido criados permaneceram vivos, pois Argoth se apiedou deles.
Lumus e Darkus não gostaram dessa
decisão e solicitaram a Argoth que lhes devolvesse o dom. Foi negado, mas em
contrapartida, lhes foi permitido a criação de seis generais para cada um.
Esses generais iriam ser enviados um a um para Lumiera, a fim de conseguir
reunir soldados dentre as criaturas já criadas e lutar contra o general rival,
até o dia da Batalha Final, onde todos os generais iriam lutar.
Para não aumentar a desigualdade,
todos os seis generais foram criados com forças equiparadas ao seu rival,
dependendo apenas de suas habilidades e inteligência, conquistadas apenas com
treino e muito esforço, sendo proibida qualquer intervenção dos semideuses.
Depois, quando o Patriarca foi
analisar sua criação, percebeu que essa guerra poderia nunca ter fim,
principalmente na Batalha Final, já que todos os generais tinham, na teoria, o
mesmo poder. Para “desequilibrar” a balança, foi criado um grande general, com
um poder imenso, porém que necessitava de muito esforço para ser adquirido.
Esse Soldado Supremo deveria ser convertido pelos próprios arquirrivais,
resultando na vitória ao final da guerra.
Com o passar dos tempos, os
objetivos de cada semideus ficou mais claro. Darkus queria dominar Escávia e
tomar o lugar do Patriarca. Lumus descobriu o plano do seu irmão e decidiu impedi-lo.
Por essa atitude, Ele conseguiu o apoio do seu Pai, mesmo Argoth tendo
prometido não intervir em nenhum lado da batalha. O Patriarca se tornou um
consultor de Lumus e o ajudava a tomar as melhores decisões.
E assim se segue a sina de Lumiera,
uma eterna guerra entre a Luz e a Treva, sempre com um terror causado pelas
criaturas monstruosas criadas por Darkus, com o único objetivo de matar as
criaturas de Lumus. É nessa batalha que surgem os heróis e os vilões da
História. Lumus vencerá algumas vezes, Darkus outras. E o equilíbrio se
restaurará por um período, um cessar fogo, uma tênue trégua que sucintamente é
quebrada, esperando apenas que o general seguinte nasça e tenha força
suficiente para vencer a rodada em nome do seu chefe.






